A quarta redução consecutiva da Selic foi recebida de forma positiva pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), mas a entidade avalia que o ritmo atual ainda é insuficiente para estimular de maneira mais significativa o crédito, os investimentos e a atividade econômica.
O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. Apesar do novo corte, a CBIC destaca que o nível dos juros continua elevado e representa um obstáculo para setores que dependem de financiamento, como a construção civil e o mercado imobiliário.
Segundo o presidente da entidade, Eduardo Aroeira, a redução representa um sinal positivo, mas é necessário avançar com novos cortes para diminuir o custo do crédito e favorecer os investimentos.
A CBIC também chama atenção para os efeitos dos juros elevados sobre o mercado imobiliário. O cenário encarece os financiamentos e pode reduzir a demanda das famílias pela compra da casa própria, além de dificultar a realização de novos projetos pelo setor.
A economista-chefe da entidade, Ieda Vasconcelos, ressalta que o espaço para novas reduções ainda é limitado. De acordo com as projeções da Pesquisa Focus citadas pela CBIC, a Selic deve encerrar 2026 em 13,75%, mantendo os juros em um patamar elevado por mais tempo.
Na avaliação da entidade, a continuidade do ciclo de cortes será importante para criar condições mais favoráveis à retomada dos investimentos e ao crescimento econômico. A CBIC defende que a taxa avance gradualmente para níveis mais baixos, especialmente em direção a um patamar de um dígito, considerado mais favorável ao financiamento.
Para o setor da construção, a expectativa é que a redução dos juros contribua para melhorar as condições de crédito, estimular a demanda por imóveis e favorecer novos investimentos ao longo dos próximos meses.