A construção civil segue gerando emprego no país. De janeiro a agosto de 2026, o setor abriu 200.431 vagas com carteira assinada, um saldo 2,66% maior que o registrado no mesmo período de 2025. Os dados são do Novo Caged, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, e foram analisados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Só em agosto, foram criados 20.848 postos de trabalho, resultado de 219.292 admissões e 198.444 desligamentos. Foi o melhor desempenho dos últimos quatro meses, já que nos meses anteriores o saldo mensal não tinha passado de 20 mil vagas.
Para a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, os números mostram a capacidade do setor de continuar gerando emprego mesmo num ambiente econômico desafiador.
“O saldo de mais de 200 mil novos postos formais criados nos primeiros oito meses do ano evidencia a força e a resiliência da Construção Civil. O setor continua gerando emprego e renda, mesmo diante de desafios importantes. Para sustentar esse ritmo de expansão no longo prazo, precisamos avançar em questões como os custos setoriais, que permanecem acima da inflação, e o cenário de juros elevados”, destaca Ieda.
Todos os segmentos abriram vagas em agosto
| Segmento | Novas vagas em agosto |
|---|---|
| Serviços Especializados | 8.415 |
| Obras de Infraestrutura | 7.396 |
| Construção de Edifícios | 5.037 |
| Total | 20.848 |
Os Serviços Especializados, que incluem demolição, preparação de terreno e instalações elétricas e hidráulicas, lideraram a geração de vagas no mês.
O salário médio de admissão na construção também ficou acima da média nacional. Em agosto, chegou a R$ 2.642,46, 9,61% acima da média de R$ 2.410,74 do conjunto das atividades econômicas. Foi o segundo maior salário médio de admissão entre as atividades acompanhadas pelo Novo Caged.
O setor fechou agosto com 3,151 milhões de trabalhadores formais, 3% a mais que em agosto de 2025. O crescimento aconteceu nos três segmentos: Obras de Infraestrutura (+3,57%), Construção de Edifícios (+2,88%) e Serviços Especializados (+2,63%).
Infraestrutura puxa o resultado do ano
No acumulado de janeiro a agosto, as Obras de Infraestrutura foram o destaque. O segmento saltou de 62.312 novas vagas nos oito primeiros meses de 2025 para 79.065 no mesmo período deste ano, alta de 26,89%. Construção de Edifícios e Serviços Especializados também tiveram saldo positivo, mas em ritmo menor que em 2025.
Custos e juros preocupam
Apesar dos bons números, a CBIC alerta para fatores que podem frear o setor. Nos 12 meses encerrados em agosto, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 6,59%, acima dos 4,22% do IPCA no mesmo período. A mão de obra ficou 7,60% mais cara, e os materiais e equipamentos, 6,10%.
“Temos um mercado de trabalho que continua demonstrando força, mas precisamos olhar também para as condições necessárias para que esse movimento permaneça. Custos acima da inflação e juros elevados dificultam o planejamento de longo prazo e novos investimentos. Superar esses obstáculos é fundamental para que a Construção continue ampliando sua contribuição para a geração de emprego e renda no país”, afirma Ieda.
Outro desafio é encontrar mão de obra. No trimestre encerrado em agosto, a taxa de desocupação no Brasil ficou em 5,3%, a menor para o período desde o início da série histórica, em 2012. O país tinha 5,8 milhões de pessoas desocupadas, mais de 300 mil a menos que no mesmo trimestre de 2025.
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Para as construtoras, o cenário é de oportunidade, mas pede planejamento. Com desemprego baixo e custos em alta, atrair e manter bons profissionais vai ser tão importante quanto conquistar novas obras.
Com informações da CBIC