A falta de água deixou de ser apenas uma preocupação ambiental e passou a pesar na competitividade das empresas e na qualidade de vida nas cidades. O tema foi debatido nesta quarta-feira (21), na 14ª Reunião Ordinária do Grupo de Trabalho de Segurança Hídrica e Cidades Resilientes da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
O encontro tratou de três frentes: as soluções baseadas na natureza, o reúso de água e a dessalinização. O objetivo é ampliar a oferta de água, preparar melhor as cidades para eventos climáticos e atender às necessidades da indústria.
Produção nacional de equipamentos
Na abertura, o vice-presidente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CBIC, Nilson Sarti, classificou a pauta como “muito forte e de extrema importância”. Ele defendeu o incentivo à produção nacional de componentes para dessalinização e tratamento de água, para fortalecer a cadeia produtiva e dar mais autonomia tecnológica ao país.
Natureza a favor da obra
Ruth Portugal, vice-presidente de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente do Secovi-SP, apresentou o trabalho do grupo de Soluções Baseadas na Natureza da AELO. Ela também mostrou o Guia para Seleção de Equipamentos, Estruturas e Soluções Baseadas na Natureza, que reúne orientações e exemplos para os profissionais que desenvolvem e licenciam projetos.
Segundo ela, essas soluções precisam entrar no projeto desde o início do planejamento, unindo aspectos técnicos, ambientais e legais. “Essa solução tem que ser compatibilizada e licenciada ao mesmo tempo”, afirmou. Bem aplicadas, elas ajudam na drenagem da água da chuva, reduzem o risco de alagamentos, ampliam as áreas verdes e preparam as cidades para as mudanças climáticas.
Água como fator de competitividade
O gerente de Recursos Naturais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Mário Cardoso, falou sobre o reúso de água e a dessalinização como formas de diversificar as fontes de abastecimento da indústria. “Segurança hídrica hoje é competitividade”, resumiu.
Para ele, as tecnologias já estão consolidadas, mas ainda esbarram em obstáculos regulatórios e produtivos. Os dois principais desafios são a falta de regras para o descarte da salmoura gerada na dessalinização e a dependência do Brasil de membranas importadas, usadas no tratamento da água.
O encerramento ficou com Ilso Oliveira, vice-presidente de Obras Industriais e Corporativas da CBIC, que classificou a pauta como “riquíssima” por reunir “duas visões sobre temas muito importantes”.
Oportunidades para a construção
O debate mostrou que há espaço para o setor da construção na implantação de estruturas de tratamento e abastecimento de água e na adoção de sistemas de reúso e de soluções baseadas na natureza em edificações, empreendimentos e na infraestrutura urbana. Integrar essas soluções desde o planejamento até a execução das obras ajuda a usar melhor a água, reduzir riscos e deixar as cidades mais preparadas para eventos climáticos extremos.
Com informações da Agência CBIC.