Publicado em 01 de outubro de 2026

Construção civil gera mais de 200 mil empregos com carteira assinada em 2026

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A construção civil segue gerando emprego no país. De janeiro a agosto de 2026, o setor abriu 200.431 vagas com carteira assinada, um saldo 2,66% maior que o registrado no mesmo período de 2025. Os dados são do Novo Caged, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, e foram analisados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Só em agosto, foram criados 20.848 postos de trabalho, resultado de 219.292 admissões e 198.444 desligamentos. Foi o melhor desempenho dos últimos quatro meses, já que nos meses anteriores o saldo mensal não tinha passado de 20 mil vagas.

Para a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, os números mostram a capacidade do setor de continuar gerando emprego mesmo num ambiente econômico desafiador.

“O saldo de mais de 200 mil novos postos formais criados nos primeiros oito meses do ano evidencia a força e a resiliência da Construção Civil. O setor continua gerando emprego e renda, mesmo diante de desafios importantes. Para sustentar esse ritmo de expansão no longo prazo, precisamos avançar em questões como os custos setoriais, que permanecem acima da inflação, e o cenário de juros elevados”, destaca Ieda.

Todos os segmentos abriram vagas em agosto

Segmento Novas vagas em agosto
Serviços Especializados 8.415
Obras de Infraestrutura 7.396
Construção de Edifícios 5.037
Total 20.848

Os Serviços Especializados, que incluem demolição, preparação de terreno e instalações elétricas e hidráulicas, lideraram a geração de vagas no mês.

O salário médio de admissão na construção também ficou acima da média nacional. Em agosto, chegou a R$ 2.642,46, 9,61% acima da média de R$ 2.410,74 do conjunto das atividades econômicas. Foi o segundo maior salário médio de admissão entre as atividades acompanhadas pelo Novo Caged.

O setor fechou agosto com 3,151 milhões de trabalhadores formais, 3% a mais que em agosto de 2025. O crescimento aconteceu nos três segmentos: Obras de Infraestrutura (+3,57%), Construção de Edifícios (+2,88%) e Serviços Especializados (+2,63%).

Infraestrutura puxa o resultado do ano

No acumulado de janeiro a agosto, as Obras de Infraestrutura foram o destaque. O segmento saltou de 62.312 novas vagas nos oito primeiros meses de 2025 para 79.065 no mesmo período deste ano, alta de 26,89%. Construção de Edifícios e Serviços Especializados também tiveram saldo positivo, mas em ritmo menor que em 2025.

Custos e juros preocupam

Apesar dos bons números, a CBIC alerta para fatores que podem frear o setor. Nos 12 meses encerrados em agosto, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 6,59%, acima dos 4,22% do IPCA no mesmo período. A mão de obra ficou 7,60% mais cara, e os materiais e equipamentos, 6,10%.

“Temos um mercado de trabalho que continua demonstrando força, mas precisamos olhar também para as condições necessárias para que esse movimento permaneça. Custos acima da inflação e juros elevados dificultam o planejamento de longo prazo e novos investimentos. Superar esses obstáculos é fundamental para que a Construção continue ampliando sua contribuição para a geração de emprego e renda no país”, afirma Ieda.

Outro desafio é encontrar mão de obra. No trimestre encerrado em agosto, a taxa de desocupação no Brasil ficou em 5,3%, a menor para o período desde o início da série histórica, em 2012. O país tinha 5,8 milhões de pessoas desocupadas, mais de 300 mil a menos que no mesmo trimestre de 2025.

Leia também: Redução da jornada de trabalho pode exigir quase 300 mil novos trabalhadores na construção

Para as construtoras, o cenário é de oportunidade, mas pede planejamento. Com desemprego baixo e custos em alta, atrair e manter bons profissionais vai ser tão importante quanto conquistar novas obras.

Com informações da CBIC

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