A votação no Plenário do Senado sobre a proposta que elimina a escala 6×1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas foi adiada para depois das eleições. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) vê o período como oportunidade para aprofundar o debate sobre os impactos e as condições necessárias para a implementação da mudança.
Segundo estimativas da CBIC, a redução de quatro horas semanais representaria 208 horas de trabalho perdidas por profissional ao ano. Com cerca de 2,88 milhões de trabalhadores celetistas na construção civil, seria necessário contratar mais de 288 mil trabalhadores para manter o nível atual de atividade do setor.
“A redução da jornada de trabalho é um debate legítimo”, declarou Eduardo Aroeira, presidente da CBIC, que defende diálogo entre trabalhadores, setor produtivo e poder público. Segundo ele, uma mudança dessa magnitude sem tempo suficiente de preparação pode impactar negativamente o setor, com risco de reflexos em custos, cronogramas e atrasos na entrega de habitação e obras de infraestrutura.
David Fratel, vice-presidente de política de relações trabalhistas da CBIC, afirmou que não existe mão de obra disponível de forma imediata para suprir essa demanda, e destacou que o setor ainda tem 5 milhões de trabalhadores informais.
A CBIC estima que a mudança pode gerar aumento de até 15% no custo da mão de obra e de pelo menos 6% no custo total das obras. A mão de obra representa entre 35% e 40% dos custos na construção tradicional, chegando a quase 60% em empreendimentos de habitação popular, acrescidos de 17% em encargos trabalhistas por hora.
Segundo Fratel, esse aumento poderia prejudicar famílias de menor renda e dificultar o acesso à moradia. Já na infraestrutura, contratos de PPPs têm condições previamente estabelecidas, e eventuais reequilíbrios exigiriam processos específicos.